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Negócios

O problema não é ganhar dinheiro na internet. É acreditar que existe atalho.

É possível construir renda e negócios relevantes pela internet. O problema começa quando vendem o resultado sem mostrar o trabalho, a habilidade e a trajetória necessários para chegar até ele.

8 min · 22/09/2026

Ganhar dinheiro enquanto dorme é possível.

Ganhar dinheiro sem sair de casa também.

Você pode vender para uma pessoa do outro lado do mundo, construir produtos digitais, automatizar partes de uma operação e criar fontes de receita que continuam funcionando enquanto está fazendo outra coisa.

Nada disso é mentira.

O problema começa quando alguém pega uma possibilidade real, elimina convenientemente todo o caminho necessário para chegar até ela e vende apenas o resultado.

Você vê um anúncio de alguém trabalhando na praia. Outro promete ensinar como faturar sem aparecer. Um terceiro explica que você não precisa ter produto, experiência ou audiência. Parece que existe uma máquina em algum lugar da internet que imprime dinheiro e, por alguma razão misteriosa, só falta você descobrir onde fica o botão.

Foi justamente essa parte do mercado digital que sempre me incomodou.

Porque existe muita coisa séria sendo construída na internet. Existem profissionais excelentes, empresas relevantes, produtos que realmente ajudam pessoas e negócios que faturam milhões.

Só que também existe uma indústria inteira especializada em vender o sonho antes de explicar o trabalho.

Antes de comprar o resultado, descubra de onde ele veio

Uma das primeiras coisas que você deveria investigar quando alguém promete ensinar como ganhar dinheiro é bastante simples: como essa pessoa ganhou dinheiro?

Não estou falando apenas do número que aparece no anúncio.

Quero saber a trajetória.

O que ela fazia antes? Qual habilidade desenvolveu? Que tipo de cliente atendeu? Que produto construiu? Durante quanto tempo fez aquilo? De onde veio a experiência que agora pretende ensinar?

Essa pergunta é importante porque existe um problema curioso em determinados modelos do mercado digital.

Imagine uma pessoa que vende um treinamento ensinando você a ganhar dinheiro como afiliado. Você entra e descobre que a principal estratégia ensinada é justamente se tornar afiliado daquele treinamento e vendê-lo para outras pessoas que também aprenderão a vendê-lo.

Percebe o problema?

O produto ensina você a vender o produto que ensina outras pessoas a vender o mesmo produto.

Em algum momento, vale perguntar onde está o valor gerado para alguém fora desse ciclo.

Isso não significa que marketing de afiliados seja necessariamente ruim. Existem bons produtos vendidos por afiliados e profissionais sérios trabalhando dessa maneira.

O alerta é outro.

Se o único resultado do método parece depender de colocar mais pessoas dentro do próprio método, desconfie.

Ostentação não é currículo

Outro cuidado importante é não confundir aparência de sucesso com evidência de competência.

A internet tornou relativamente fácil construir uma imagem.

Uma sessão de fotos bem produzida, um carro, uma viagem, um apartamento bonito e um perfil organizado conseguem criar uma percepção bastante específica em poucos segundos.

Só que nenhuma dessas coisas prova que aquela pessoa consegue fazer aquilo que promete ensinar.

Por isso, antes de comprar, vale investigar um pouco.

Veja o histórico. Procure clientes. Observe depoimentos e, quando fizer sentido, descubra quem são aquelas pessoas. Tente entender se existem resultados além dos prints escolhidos para a página de vendas.

Principalmente, procure coerência entre a história contada e a competência vendida.

Isso não elimina risco. Você nunca terá acesso a tudo.

Mas existe uma diferença enorme entre comprar porque alguém mostrou uma Lamborghini e comprar depois de entender minimamente de onde vem a experiência daquela pessoa.

O mercado digital não inventou o charlatanismo. Apenas deu a ele tráfego pago, landing page e checkout.

O caminho menos sexy costuma começar com uma habilidade

Se alguém me perguntasse qual é uma das maneiras mais simples de começar a ganhar dinheiro pela internet, minha resposta provavelmente seria muito menos emocionante do que aquilo que aparece em vários anúncios.

Aprenda alguma coisa útil e venda essa habilidade como serviço.

Design.

Copywriting.

Edição de vídeo.

Tráfego pago.

Programação.

Construção de páginas.

Existem inúmeras habilidades que podem ser prestadas remotamente. Você não precisa começar criando uma grande empresa nem construir um infoproduto.

Precisa ser útil para alguém e conseguir cobrar por isso.

Foi assim que comecei.

Antes de vender meus próprios produtos, eu trabalhava como copywriter. Escrevia campanhas e lançamentos para outras pessoas. Depois, passei a atuar também como estrategista, coprodutor e sócio em algumas operações.

Essa trajetória me colocou nos bastidores de negócios reais.

Eu precisava escrever.

Precisava entregar.

Precisava lidar com prazo.

Precisava ajudar campanhas a vender.

E, quando alguma coisa não funcionava, não existia frase motivacional capaz de resolver. Precisávamos descobrir o problema e melhorar.

Foi essa experiência que mais tarde se transformou em outras fontes de receita.

Existe uma ordem que faz sentido

Eu gosto de comparar esse processo com uma criança aprendendo a se movimentar.

Primeiro ela fica em pé. Depois anda. Em algum momento corre.

É claro que existem pessoas que avançam mais rápido. Existem exceções, talentos fora da curva e situações específicas que encurtam determinadas etapas.

O problema é construir sua expectativa inteira em cima da exceção.

No mercado digital, muita gente quer começar voando.

A pessoa ainda não sabe entregar um serviço, nunca resolveu um problema real para um cliente e não possui experiência prática naquele assunto. Mesmo assim, já está preocupada em escalar um produto para milhares de pessoas.

Talvez dê certo.

Mas existe outro caminho muito mais compreensível: desenvolver uma habilidade, prestar o serviço, ganhar experiência, aprender com clientes reais e então observar o que pode ser construído a partir daquilo.

Foi o que aconteceu comigo.

Eu comecei prestando serviço como copywriter. Conforme fui trabalhando, acumulei conhecimento, processos e experiência. Depois, parte desse conhecimento virou produto.

Meu primeiro infoproduto nasceu justamente daquilo que eu já fazia na prática. Não precisei inventar um personagem nem escolher um nicho aleatório porque alguém disse que estava “quente”.

Eu transformei experiência em produto.

Meu primeiro infoproduto nem sequer precisava de vídeo

Existe uma ironia interessante nisso tudo.

Uma das promessas comuns do mercado é “ganhe dinheiro sem aparecer”.

E, sim, eu mesmo já vendi produto sem precisar aparecer em vídeo.

Meu primeiro infoproduto era baseado em texto. Ele nasceu da experiência que eu tinha acumulado trabalhando como copywriter e acabou fazendo meus primeiros R$ 100 mil em 67 dias.

Então tecnicamente seria possível pegar esse resultado e criar um anúncio dizendo:

“Como fiz seis dígitos sem gravar nenhuma aula.”

Seria verdade.

Também seria uma maneira bastante conveniente de esconder quase toda a história.

Porque antes daquele produto existiram anos desenvolvendo uma habilidade. Existiram clientes, campanhas, lançamentos, erros, processos e trabalho.

O PDF foi o formato.

A experiência anterior foi o ativo.

Essa diferença é importante porque o mercado frequentemente vende o formato como se fosse a causa do resultado.

Não foi “um PDF” que fez aquilo acontecer.

Foi um conhecimento que já tinha valor sendo organizado em um formato que outras pessoas poderiam comprar.

Uma habilidade pode virar várias fontes de receita

Depois que você constrói uma competência real, começam a aparecer outras possibilidades.

No meu caso, o conhecimento que primeiro monetizei prestando serviço também virou infoproduto.

Depois apareceu a consultoria. Pessoas podiam me contratar individualmente para analisar situações específicas e ajudá-las usando aquela mesma experiência.

Mais adiante, vieram outros produtos e serviços. Também existiu a possibilidade de trabalhar em formatos parecidos com uma agência e de reunir pessoas em grupos de mentoria.

Perceba que não precisei acordar toda segunda-feira procurando uma nova maneira de ficar rico.

O conhecimento central continuava relativamente parecido.

O que mudava era a forma de monetizá-lo.

A própria trajetória que descrevi naquele momento passava por prestação de serviço, infoproduto, consultoria, trabalho com empresas e mentoria em grupo.

É uma lógica bem menos sedutora do que “copie esses três passos e fature amanhã”.

Também é muito mais parecida com a maneira como negócios de verdade costumam ser construídos.

Não existe problema em querer ganhar dinheiro

Uma das distorções desse debate é cair no extremo oposto.

Depois de ver tanta promessa absurda, algumas pessoas começam a tratar qualquer conversa sobre dinheiro na internet como golpe.

Também não faz sentido.

A internet criou possibilidades econômicas extraordinárias. Um profissional consegue atender clientes em diferentes cidades e países. Uma empresa pequena consegue vender nacionalmente. Um especialista consegue transformar conhecimento em produtos que atendem milhares de pessoas.

Você pode ganhar muito dinheiro com isso.

O problema não é querer ganhar dinheiro.

O problema é querer o resultado sem construir aquilo que sustenta o resultado.

Existe uma diferença entre escala e mágica.

Escala significa construir algo que funciona e encontrar maneiras de fazer aquilo alcançar mais pessoas.

Mágica é acreditar que você consegue pular a parte em que precisa ser bom em alguma coisa.

Cuidado também com aquilo que você deseja acreditar

Golpes e promessas exageradas não funcionam apenas porque existe alguém mentindo.

Eles também funcionam porque existe alguém querendo muito acreditar.

Se você está cansado do trabalho, endividado, frustrado profissionalmente ou desesperado para mudar de vida, uma promessa de dinheiro rápido se torna muito mais sedutora.

E quem vende esse tipo de coisa sabe disso.

Por isso, uma das melhores defesas é aprender a desconfiar especialmente das promessas que você gostaria que fossem verdade.

Quanto mais uma oferta parece eliminar esforço, tempo, experiência, risco e dificuldade, mais perguntas você deveria fazer.

Quem está ensinando?

Qual é o histórico?

De onde veio o resultado?

Existem clientes reais?

O produto gera valor fora do próprio sistema?

O que exatamente eu precisarei aprender e fazer?

Existe trabalho envolvido ou a proposta depende de eu acreditar que encontrei uma brecha secreta no capitalismo?

Não existe problema em comprar cursos, mentorias ou produtos digitais. Eu vendo esse tipo de coisa.

Justamente por isso acho que você deveria fazer essas perguntas.

O digital não elimina a jornada

Você pode construir um negócio milionário pela internet.

Pode vender enquanto dorme.

Pode trabalhar de casa.

Pode criar um produto que continue sendo comprado sem sua presença em cada transação.

Pode ter diferentes fontes de receita baseadas no mesmo conhecimento.

Tudo isso existe.

Só que existe uma enorme diferença entre dizer que algo é possível e dizer que é fácil, imediato ou garantido.

Normalmente existe uma jornada.

Você aprende.

Executa.

Erra.

Atende gente de verdade.

Melhora.

Constrói repertório.

Começa a perceber padrões.

Transforma parte da experiência em processo.

E, se fizer sentido, cria produtos, serviços e modelos mais escaláveis em cima disso.

A internet pode acelerar algumas etapas. Pode diminuir barreiras. Pode aumentar seu alcance de uma maneira que seria impensável algumas décadas atrás.

O que ela não consegue fazer é transformar falta de valor em um negócio sustentável.

Por isso, antes de procurar a próxima promessa de dinheiro fácil, talvez valha fazer uma pergunta muito menos empolgante:

Em que eu estou ficando realmente bom?

Porque, quando existe uma resposta consistente para essa pergunta, ganhar dinheiro na internet deixa de depender de encontrar um truque.

Passa a depender de aprender a transformar valor em negócio.

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